Apenas sinta.
Ando acordando de madrugada. Eu sei, aos 47 anos nós, mulheres, oscilamos como adolescentes entre doses de estrogênio e progesterona e essa química, tão dentro e tão inacessível, brinca de montanha-russa com nosso corpo e essa brincadeira às vezes não tem graça nenhuma. O fato é que acordei e me pus a pensar, insone. Toda vida procurei o conforto das palavras, dos significados, a clareza de uma verdade que reluziria feito diamante e o refrigério das informações. Achei que o jornalismo fosse minha redenção, meu porto seguro, claro que não foi, mas mesmo que tivesse escolhido outra profissão duvido que deixaria de lado essa compulsão por conhecimento, essa busca frenética por certezas. Talvez seja um traço geneticamente herdado, reação contra a falta de respostas convincentes na infância ou somente característica de temperamento, difícil dizer (com relutância assumo que certas coisas nunca saberemos). O fato é que concluí que amar era responder a verdade e somente a verd...